domingo, 21 de dezembro de 2014

Mourão: o prefeito do PSDB que deu certo

Praia e bairro do Canto do Forte, ao fundo Forte Itaipu - clique para ampliar
Como forte admirador do trabalho de Mourão junto à cidade de Praia Grande, além de ter morado naquela cidade por mais de 13 anos, inclusive mudando para PG, como é conhecida, justamente quando do primeiro mandato e, mantendo fortes laços de amizade, me considero suspeito para fazer qualquer comentário porém, o desempenho deste bravo guerreiro que deu uma cara nova à cidade, foi um dos fatores importantes para a minha filiação partidária.

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Alberto Pereira Mourão nasceu em São Paulo, no dia 26 de abril de 1954. Filho de Diamantino Cruz Ferreira Mourão e Idalina da Conceição Pereira (ambos falecidos), é casado com Maria Del Carmen Padin Mourão, tem duas filhas e quatro netos.

Advogado, bacharel em Direito pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), Mourão é empresário da construção civil, sócio-proprietário da Mourão Construtora desde 1977.

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Quando o escritor Afonso Schmidt vivia na Praia Grande

Praia Grande, nos últimos tempos, vem ganhando várias escolas públicas por empenho da Prefeitura. Falta agora valorizar mais os professores e, naturalmente, encomendar livros e expandir a biblioteca municipal, um pouco acanhada para a grandeza do município. E, sim, dar um novo nome à biblioteca, que atualmente homenageia um ditador de triste memória. Como não se sabe de um grande autor que tenha nascido no município, vão aqui duas sugestões.

O jornalista Geraldo Ferraz (1905-1979), secretário de Redação de A Tribuna de 1953 a 1966, escreveu em 1956, numa casa de veraneio em Praia Grande, seu célebre romance Doramundo, publicado em 1957 e transformado em filme por João Batista de Andrade, em 1977. Já seria razão mais do que suficiente para a homenagem. O escritor Afonso Schmidt (1890-1964), nascido na Água Fria, em Cubatão, seria outra opção. Ele, que já dá nome à biblioteca pública de Cubatão, passou um período no Canto do Forte, em Praia Grande. Schmidt rememora essa época em seu livro Bom Tempo, de 1956.

Em 1914, retornado de uma vida errante na Europa, estava na Biquinha, um fim de tarde, quando ouviu de alguns homens, que desciam do bonde da linha 2, a notícia de que estourara aquela que seria a Primeira Guerra Mundial. Sentiu um alívio porque, meses antes, no trem de Marselha, hesitara em acompanhar alguns jovens belgas que iam se alistar na Legião Estrangeira. Depois, em Vieu Port, pensou em vender por 100 francos a passagem de regresso a um simpático armênio que estava disposto a comprá-la. Se tivesse feito, por certo o furacão da guerra o teria levado.

Em situação apertada, sua família arrendou a fazenda na Água Fria e, depois de morar em São Vicente, ainda em dificuldades, teve de se mudar para um rancho na Praia Grande, perto da Fortaleza do Itaipu, que era propriedade de um advogado de Santos. Como o advogado não quis cobrar aluguel, foi a opção que restou.
A esse tempo, Schmidt começou a trabalhar como repórter no jornal Cidade de Santos, vespertino de vida efêmera. O irmão de Afonso, Godofredo, arrumou emprego de professor substituto na escolinha do Porto do Rei, isto é, no Boqueirão, que era a parte mais povoada, até onde chegava a estrada aberta pelo governo dois anos antes, saindo da Ponte Pênsil. Morando no Itaipu e trabalhando em Santos, Schmidt levantava às seis da manhã, quando ouvia o tiro da peça nas obras da fortaleza. Apressado, tomava café, caminhava pela praia até o Porto do Rei e seguia pela estrada, que naquele tempo não passava de um caminho de dois ou três metros, entre valas secas.

Avançando, ele descortinava o Morro do Xixová e seguia adiante até a Ponte Pênsil. Chegando a São Vicente, ali pelas sete e meia da manhã, pegava o bonde via Matadouro, que era mais barato. Muitas vezes, sem um níquel no bolso, continuava a caminhada pela praia até o José Menino ou o Gonzaga, na esperança de encontrar um conhecido. E não raro encontrava gente do Parque Balneário, que o levava à Cidade, como dizemos até hoje. Sua função no jornal era redigir notas policiais. Por isso, seguia direto até a cadeia na Praça dos Andradas para consultar o livro de assentamentos – hoje, diríamos boletins de ocorrências (B.O.) -, ouvia o escrivão e rumava, então, para a redação. No jornal ganhava pouco: vivia de vales que seriam descontados ao final do mês.

No fim da tarde, enfrentava o mesmo martírio na volta para casa. Chegava já noite à estação de bondes em São Vicente, tomava o caminho do Tumiaru, ”que subia entre o morro e o mar morto”. Atravessava de novo a Ponte Pênsil e mergulhava na estrada solitária: só encontrava duas ou três claridades de rancho até chegar ao Porto do Rei. Assim viveu a família de Schmidt por ano e pouco até que ele descobriu uma casa vazia em São Vicente. Decidiram mudar para lá, mas a casa pertencia ao Serviço Sanitário e quase se meteram em encrencas, não tivesse o futuro escritor tido o expediente de procurar em Santos o diretor do Serviço Sanitário, que ficava na Rua Santo Antônio, hoje Rua do Comércio.

Depois, a guerra entrou em declínio e a vida de todos foi aos poucos melhorando. Por indicação de um amigo, Afonso Schmidt entrou para A Tribuna como repórter. Pôde, então, mudar-se, finalmente, para Santos, o sonho de todos aqueles que viviam nos arredores da cidade portuária. Quando, porém, pensou em cumprir o compromisso de devolver a chave da casa ao diretor do Serviço Sanitário, descobriu que a morada nunca tivera chave. À noite, a porta da rua ficava encostada por um caixote de sabão. E lá nunca entrou nenhum gatuno. Bons tempos aqueles.

Adelto Gonçalves, jornalista, trabalhou no Estadão, Folha de São Paulo, Editora Abril e A Tribuna de Santos. Professor universitário, doutor em Literatura Portuguesa pela USP, autor dos livros Os Vira-latas da Madrugada, prêmio José lins do Rego, da José Olympio Editora; Gonzaga, um Poeta do Iluminismo, Barcelona Brasileira, Bocage – o Perfil Perdido e Tomás Antônio Gonzaga. Ganhou em 1986, o prêmio Fernando Pessoa, da Fundação Cultural Brasil-Portual. Professor universitário de literatura em Santos, na Universidade Paulista, Unip, e na Universidade Santa Cecília, Unisanta.

Postado pelo jornalista Rui Martins – Título Amorim Sangue Novo – Foto retirada da página de Danilo Sarafana no Facebook