sábado, 14 de fevereiro de 2015

A presidenta Dilma e o tubo de escape

Por diversas vezes questionei com leitores e não leitores sobre a presidenta Dilma ser chamada presidentA, de fato, de direito e por querer ser chamada assim. Até fiz matéria com provas através de cópias de diversos dicionários e outras, porém os “analfas” de plantão continuaram a me encher o saco.

Para não perder as estribeiras e mandar todos tomarem em seus devidos tubos de escape de fezes, preferi e prefiro ignorar tais comentários e gozações.

Agora meu colega de jornalismo, Leandro Fortes, através da publicação abaixo poderá clarear a cabeças de muitas pessoas (veja segunda imagem) ou trazer pra si os “analfas” que eram meus.

Aliás, é interessante que pouquíssimas pessoas me questionaram por eu ter trocado meu nome para Amorim Sangue Novo (será que não é para demonstrar o recalque citado por, Leandro?), apesar de que muitas trocam por Sangue Bom, talvez até por confundir com a novela, mas vale lembrar que este meu nome surgiu bem antes da novela e, desde quando mudei para a cidade de Panorama e verificar que aquela cidade estava e está precisando de uma injeção de sangue novo.

 Atenção: Tubo de escape de fezes é de minha autoria

(Amorim Sangue Novo, por que assim sou e por que assim quero)


Por que não presidenta Dilma?

Essa discussão sobre Dilma Rousseff usar a designação “presidenta” em vez de “presidente” beira à babaquice e à ignorância, nem sempre nessa ordem, embora o sujeito dessa oração seja, todo mundo sabe, o preconceito.

Toda vez que essa bobagem vem à tona, me lembro de como o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro decidiu mudar a grafia do próprio apelido, “Cacai”, para o glamoroso e internacional “Kakay”.

Um dos mais famosos criminalistas do País, Castro é também uma fonte privilegiada do jornalismo da capital. Conhece, por ofício, a intimidade do poder de ponta a ponta do espectro esquerda-direita, e sabe equilibrá-la entre o sigilo profissional e a inconfidência calculada.

Pois bem, no dia que “Cacai” decidiu ser “Kakay”, aliás, um direito dele, precisou apenas avisar às redações.

No outro dia, todos os jornais e revistas adotaram alegremente a grafia bolada pelo advogado, talvez em um desses tarôs de numerologia. E ninguém questionou que não podia ser “Kakay” porque não existe “kays” do porto, nem “kayçara”, nem o “karay” a quatro.

É “presidenta” porque a presidente eleita quis assim, nos documentos oficiais e no tratamento pessoal, como forma de estabelecer um marco simbólico na ocupação do poder. Isso, apesar de haver mulheres a replicar a geleia de misoginia dispensada ao tema.

Ninguém é obrigado a seguir a designação, fora da esfera dos órgãos oficiais. Usa quem quiser.

Além disso, não tem erro de português.

Tem é recalque mesmo.

Postado por Leandro Fortes no DCM – Título e imagem principal: Amorim Sangue Novo


Sobre o Autor 
Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor. Trabalhou para o Jornal do Brasil, O Globo, Correio Braziliense, Estadão, Revista Época e Carta Capital.