quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Petrobrás tem novo presidente

Imagem do Veja,Abril
O presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, é o novo presidente-executivo da Petrobras, após o pedido de demissão de Maria das Graças Foster, disseram à Reuters três fontes do governo a par do assunto nesta sexta-feira. O anúncio oficial será feito após o fechamento do mercado.

O Conselho de Administração da Petrobras se reúne nesta sexta para eleger um nome indicado pela Presidência da República para ocupar a cadeira de presidente-executivo da petroleira, que está no centro de um escândalo bilionário de corrupção.
O novo comando da empresa terá entre seus desafios iniciais a regularização da publicação das demonstrações financeiras da estatal. Isso em meio à apuração de um escândalo de corrupção que exigirá que a estatal realize baixas contábeis de ativos sobrevalorizados.

Entre os nomes apontados pelo mercado como possíveis para assumir a presidência da Petrobras estão o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o ex-presidente da mineradora Vale Roger Agnelli, o atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, o ex-executivo da Petrobras e OGX Rodolfo Landim, além do ex-CEO da companhia petroquímica Braskem José Carlos Grubisich.

Saída
A saída dos executivos, anunciada na quarta-feira, aconteceu quase um ano após a deflagração da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema de corrupção, no qual funcionários e ex-funcionários da estatal teriam desviado recursos da petroleira para pagamento de subornos e para financiar partidos políticos.
Os novos diretores vão substituir os seguintes executivos que renunciaram: Almir Barbassa (Finanças), José Carlos Cosenza (Abastecimento), José Miranda Formigli (Exploração e Produção), José Alcides Santoro (Gás e Energia) e José Antônio Figueiredo (Engenharia, Tecnologia e Materiais).
Permanecem na diretoria João Elek Junior, recentemente empossado para a nova diretoria de Governança, Risco e Conformidade, e José Eduardo Dutra, diretor Corporativo e de Serviços.

A renúncia dos executivos nesta semana surpreendeu integrantes do governo, que previam uma mudança na diretoria apenas no fim do mês, segundo uma fonte governamental.

Os diretores não aceitaram ficar no cargo por mais tempo, quando a saída deles foi dada como certa, após a presidente Dilma Rousseff finalmente aceitar o pedido de demissão de Graça Foster, segundo outra fonte próxima à diretoria da estatal.

Já bastante desgastados, os diretores não quiseram mais ser diretamente associados ao escândalo de corrupção, um dos maiores da história do país, sem denúncias de que teriam participado.

A situação dos diretores foi agravada depois que a companhia apresentou, com atraso de mais de dois meses, o balanço do terceiro trimestre não auditado.
O atraso foi causado pela dificuldade da companhia em incluir no seu relatório financeiro informações sobre a suposta corrupção que teria comprometido os números da Petrobras.
Agora, a nova diretoria terá como missão correr contra o tempo para apresentar os números do quarto trimestre dentro do prazo, até o fim de abril, auditado e com as baixas contábeis.

A não apresentação dos números dentro do prazo poderá causar questionamentos de credores e até mesmo a execução imediata de dívidas bilionárias de detentores de títulos.

Após a notícia de que Bendine assumirá a Petrobras, as ações da empresa tinham forte queda. Às 12h, as preferenciais e as ordinárias recuavam 6,2 e 5,7%, respectivamente. O Ibovespa .BVSP tinha desvalorização de 1,5%.

– O Bendine é uma pessoa muito identificada com a primeira gestão do governo Dilma. O BB foi absolutamente comandado pelo governo na primeira gestão e a Petrobras precisaria de alguém mais independente, que peitasse o governo em determinadas situações e não fizesse loteamento de cargos – disse à Reuters o sócio da Órama Investimentos Álvaro Bandeira, no Rio de Janeiro.

40 anos no Banco do Brasil
Aldemir Bendine, pode ser considerado um fiel escudeiro do governo comandado pelo PT.Com quase 40 anos de carreira dentro do Banco do Brasil, onde ingressou como menor estagiário em 1978, assumiu o maior banco da América Latina em abril de 2009 – quando Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente da República e Guido Mantega o ministro da Fazenda – para alinhá-lo à nova política econômica que estava sendo implementada naquele momento.

A ideia foi baixar os juros para incentivar o consumo no momento em que o mundo vivia uma das priores crises financeiras da História. E foi o que o BB fez por muito tempo, inclusive no governo da presidente Dilma Rousseff, iniciado em 2011.
Logo de cara, o banco teve bons resultados e voltou à liderança no mercado brasileiro tomada pouco antes pela compra do Unibanco pelo Itaú. Desde que Bendine assumiu o BB, o valor das ações dobrou. No mesmo período, o principal índice de ações da bolsa paulista subiu cerca de 20 por cento.

Dida, como é conhecido inclusive entre seus colegas de trabalho, é palmeirense roxo e bem-humorado. Viveu intensas batalhas políticas dentro do BB, que sofria ingerência também de aliados do PMDB e outras linhas mais duras do PT, mas com apoio do Palácio do Planalto conseguiu sobreviver.

Até mesmo em momentos delicados, como quando foi alvo de polêmica após comprar um apartamento de 150 mil reais em dinheiro vivo, que ficava guardado em sua casa.
Ele voltou às manchetes no ano passado, diante de denúncias de que o BB teria emprestado 2,7 milhões de reais à empresa da socialite Val Marchiori em uma linha subsidiada pelo BNDES, contrariando normas internas das duas instituições.
Bendine, 51 anos, cresceu muito rápido quando chegou aos escalões mais altos no BB. O novo presidente da Petrobras é bacharel em Administração de Empresas, cursou MBA em Finanças e em Formação Geral para Altos Executivos.

Da redação, com Reuters