sábado, 17 de setembro de 2016

Roberta - Um conto sensual para seu fim de noite

Por Clara Lúcia do Simples e Clara

Roberta, louca para chegar em casa, encara um engarrafamento quilométrico num fim de tarde, começo da noite, buzinas, poluição, gritos, motos barulhentas e calor, muito calor.

Liga o rádio e ouve Dire Straits com aquele som de guitarra inconfundível. Começa a cantar tentando relaxar e esperar que a fila de carros ande de uma vez por todas.

Olha para o lado e o vidro do carro do lado abaixa. Um homem começa a olhá-la primeiro com óculos escuros, depois por cima dos óculos. Olhos negros penetrantes... Logo em seguida um sorriso, lindo!

 Roberta vê que ele aumenta o som de seu carro e que também ouve Dire Straits, uma outra canção. Ela desvia o olhar e se concentra em um ponto qualquer à sua frente. Mesmo assim é inevitável não sentir o olhar do homem lhe queimando o rosto. Não resiste e o olha de vez em quando... Ele sempre olhando e sorrindo, agora sem os óculos escuros.

Sua imaginação voa... E já se vê dentro daquele carro, do lado daquele homem desconhecido, com todo aquele calor lhe subindo pelo ventre.

Roberta, para provocar, levanta o vestido até a altura das coxas e também uma perna, de propósito, só para que ele lhe veja. E ele vê! E faz um biquinho como se lhe mandasse um beijo e aperta um pouco os olhos, ficando com uma cara de safado.

Ainda se imaginando dentro daquele carro, ele então começa a correr sua mão em sua coxa... Se ajeita no banco, de forma que fique quase meio deitado, e de pernas entreabertas...

O trânsito anda uns 20 metros e Roberta aumenta o som do carro, agora uma outra música, e olha para o lado enquanto ele para no mesmo rumo do meu carro, de novo. Que bom!

Roberta fecha os olhos e sua imaginação continua, então ela se senta no colo daquele desconhecido, de frente, e começa a beijá-lo alucinadamente... Ele, com aquelas mãos enormes, abaixa seu vestido, acha seus seios e começa a beijá-los... Era como se ele voltasse à infância e estivesse faminto por alimento.

Beija-lhe a boca com paixão, desarruma seus cabelos, lhe pega pelo pescoço e percorre sua boca por todo o colo, os seios, volta para sua boca e lhe arranca o fôlego... Lhe aperta contra seu corpo deixando-a imóvel, puxa seus cabelos para trás e fixa os olhos nos dela... Olhos sedentos de desejo....

Alguém bate no vidro do carro. Roberta abre um pouco e vê um menino vendendo água. Água geladinha....

Olha para o lado e ele continua olhando-a, sorrindo e mexendo no volume do rádio.

Ela bebe a água e deixa escorrer um pouco sobre seu corpo. Ele vê isso e faz um gesto com a cabeça como se quisesse dizer: "não acredito!"

Ela fecha o vidro de novo e também os olhos e sonha acordada... Volta para o colo dele, que começa a gemer e a dizer coisas incompreensíveis;  lhe segura nos cabelos e beija seu pescoço, o suor escorrendo pelos seus seios... O mundo para! Só os dois ali, naquele sexo sem limites, naquela vontade de um entrar dentro do outro e nunca mais sair...

Uma buzinada atrás do carro de Roberta a faz ver que a fila andou mais uns metros. Ofegante. O desconhecido lhe olhando, lhe mostrando o celular, acenando e falando algo que ela não entendia. Apenas retribui com um sorriso. A fila anda mais um pouco e ele para bem à frente do carro dela. Roberta revira o porta-luvas e acha caneta e papel. Anota a placa. Ele fica olhando para trás procurando-a e acenando com a mão.

Roberta fecha os olhos e volta naquele lugar do pecado, dentro do carro daquele homem desconhecido, másculo e que a leva ao delírio... Continua o sexo, beija aquela boca, volta para seus seios, depois dá mordidinhas em sua orelha... E explode num urro de satisfação. Ela fica olhando aquele rosto tão próximo do dela, aquela boca quente, aquele hálito, aquele cheiro de sexo que se espalha; ela não resiste! Seu coração dispara...

Ela dentro de seu carro e ele à frente lhe acenando e sorrindo, querendo dizer algo...A fila anda mais um pouco e ele some, entre os carros... Que pena!

Depois de um bom tempo, depois que todo aquele aglomerado de carros se acaba, ela o vê parado no acostamento, em pé fora do carro, lhe esperando passar. Acena com as mãos e ela não resiste e para mais à frente, sai do carro e vão de encontro um do outro. Eduardo, o nome do desconhecido.

No íntimo, Roberta sabia que suas fantasias não seriam só fantasias. Ela sabia que algo mais aconteceria. E aconteceu! Não dentro do carro, não naquela hora e nem naquele dia. Foram se conhecendo aos poucos, dia a dia até se entenderem e confirmarem uma fantasia que se viveu a dois, cada um com seus desejos e suas vontades. Duas fantasias que se uniram, agora olho no olho, pele na pele.


Título: Amorim Sangue Novo – Imagem: Google

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